Ideia pra mestrado?

Depois de voltar pra casa, estou meio quieta, pensando bastante sobre o que fazer das coisas. A liberdade é um exercício complicado, não há dúvidas.

Meu principal plano — se já é possível a referência a plano — é preparar-me para fazer um mestrado. Quero estudar a transgeneridade, ou melhor, estudar as percepções sociais em relação às transgeneridades, ou inconformidades de gênero para ser mais abrangente. De que forma, ainda não sei exatamente. E dá um medo grandão de estar ‘jogando tudo pela janela’ — que drama, deus, rs. Mas já surgem alguns arremedos de potenciais projetos, ou divagações mesmo.

Uma ideia tem ganhado forma nestes últimos meses, e seria uma análise crítica da mídia em relação à transgeneridade. Pensei em pegar alguns ‘casos’ ou ‘personagens’ que se relacionam de alguma forma às transgeneridades e dissecá-los, questioná-los. Acho que dá pano pra manga: fala-se muita merda por aí.

Outra, que tive agora (e por isso escrevo! rs), seria explorar a multidimensionalidade do conceito de passar.  O termo é usado, geralmente, por pessoas trans e, de maneira distinta, por lgb’s (i.e., passar-se por hetero), mas minha percepção é que, se tomamos um conceito ligeiramente mais abrangente de passar, perceberemos que tod@s (ouso a generalização), em diferentes graus e formas, fazemos o esforço de passar, seja em relação a vestuário, raça, classe social-financeira, habilidade, educação, religião, etc. Creio que poderia ser boa ideia ao promover essa interação do ‘passar’ no contexto trans-lgb com outras dinâmicas sociais opressivas.

Será que rola?? 🙂

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3 comentários em “Ideia pra mestrado?

  1. Olá, Viviane. Li há pouco seu texto no blog da Érika (InQuIeTuDiNe) sobre patologização-psiquiatrização das identidade trans e achei-o muito bom. Agora li este seu post sobre ideias para mestrado (é sempre um dilema, rsrs) e achei muito bacana porque me parece um campo absolutamente sem cobertura no Brasil. Eu faço mestrado em Comunicação e estudo relação mídia e movimento LGBT no Brasil e nos Estados Unidos.

    A sua ideia de abordar a representação das trangeneridades na mídia é muito interessante, eu desconheço trabalhos acadêmicos sobre a questão aqui no Brasil. Há muito tempo, aliás, eu guardo a ideia de criar (teria que ser em parceria com Universidade e ONGs, etc.) um Observatório da Sexualidade (ou diversidade sexual ou…) aos moldes dos que já existem por aqui para outros assuntos e questões sociais – Observatório da Imprensa, do Direito à Comunicação, da Mulher, do Gênero, etc.

    A crítica de mídia no país ainda engatinha, e temos pouca produção no campo da comunicação abordando representação LGBT.

    Sua formação é em que área? E pretende fazer mestrado em quê?

    Beijos. =)

    1. Acho a idéia BEEEEM legal e acredito que você deveria seguir com ela. Acho importantíssimo que transgêneros escrevam (acadêmicamente inclusive) sobre suas experiências, é de certa forma se tornar o sujeito da sua própria história e não viver em um mundo de “literatura na terceira pessoa”.

      Sobre a idéia das representações da transexualidade pela mídia, existem alguns estudos nos Estados Unidos da Judith/Jack Halberstam sobre isso (http://www.amazon.com/Queer-Time-Place-Transgender-Subcultural/dp/0814735851/ref=pd_sim_b_3). A Teresa DeLauretis e a Beatriz Preciado também seriam ótimas referências. A própria Preciado no seu livro Testo Yonqui tem uma parte que apresenta os “modelos de gênero e sexualidade” que existiriam em nossa sociedade atual, ela constrói esses modelos a partir de personagens de filmes. Claro que essa literatura da Preciado não é específica sobre transgêneros, nem fala do contexto brasileiro, você teria que fazer uma adaptação, mas já é um ponta-pé.

      1. Thiago, muito obrigada mesmo!
        É bom aprender com todo mundo que me manda referências, pontos de vista, etc. Como eu estou mudando de área (me formei em economia, e acho que este estudo se encaixaria em sociologia ou comunicação), estou super perdida, e meio insegura para apresentar minhas ideias (falta muita base teórica pra mim, etc). Estou rascunhando umas ideias, posso mandar pra você… 🙂
        Já peguei o livro da Judith Halberstam, e peguei Gender Trouble, outro livro cheio de histórias trans, algumas teses… estou empolgada!
        Espero também que muitos outros trabalhos tenham uma perspectiva de uma pessoa trans, ao invés de sermos o objeto de análise. É o que Freire diz, similarmente a sermos sujeit@s de nossa história: devemos lutar por uma inserção ativa no mundo, para além de mera sobrevivência.
        Nossa, se soubesse que meu post-desabafo ia trazer tanta gente bacana… tudo tem seu lado positivo, né? 😉
        Beijo! vivi

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