Ir+relevâncias de gênero — série fotográfica (proposta em guardanapo de avião)

A proposta desta série fotográfica é desestabilizar conceitos e narrativas históricas e contemporâneas a respeito dos gêneros [1]. A partir do entendimento de que a História não se limita a uma (re)contagem factual ou imparcial do passado, mas também engloba um exercício dialético entre indivíduxs e entre grupos sociais na busca de hegemonia sobre a perspectiva que publicará mais papers, anais, livretos, que fará mais e melhores congressos  nas mais belas praias (divago), ‘Ir+relevâncias de gênero’ procura questionar discursos, narrativas, estruturas institucionais e não-institucionais de poder que invisibilizaram e brutalizaram, bem como invisibilizam e brutalizam, individualidades ininteligíveis (com mais ou menos cinismo, com mais ou menos masturbações) a padrões dominantes de gênero, frequentemente articulados a movimentos opressores coloniais, religiosos, branco-macho-cis-hetero-eficiente-jovem supremacistas.

Neste sentido, a desarticulação do conforto cisgênero em imagens históricas sugere essa desconstrução simultânea de outras opressões mais, ou menos, visíveis, exercício em que o gênero pode fluir — inclusive dentro de uma mesma imagem –, entre a irrelevância e a relevância como categoria analítica de movimentos históricos. Indubitavelmente colocando em questão nossos próprios olhos, mirantes de um passado que conhecemos, para sermos já exageradxs, de maneira incompleta: olhamos o suficiente para gêneros quando estudamos nossas Histórias? olhamos, Nela, o suficiente para os horrores brancos das escravidões negras? olhamos colonialismos portugueses, espanhóis, franceses, holandeses, norte-americanos, com a força que deveríamos (especialmente nosotrxs sujeitxs coloniais)?

Ficam as perguntas. As respostas contêm sangue.

Voluntárixs?

Notas

[1]- uso ‘respeito’ deliberadamente, no intuito de evidenciar como esta ideia tão complexa e preponderante permeia nossas percepções de gêneros. Por que devotamos (todxs nós, cis e trans) tanta consideração ao fato de que um vestido seja utilizado por pessoa que, presume-se, tenha nascido com pênis?

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