O caminho transgênero (10) – Dez coisas que todx norte-americanx deveria saber

Embora as informações abaixo façam referência à realidade dos Estados Unidos, acredito que sejam interessantes, até mesmo para se fazer um contraste e problematização da realidade brasileira [1]. Diversas questões surgem de sua leitura: ‘em se tratando do país mais rico e poderoso do mundo, o que a existência de tantos crimes e discriminações contra pessoas transgêneras nos pode revelar?’, ou ‘como a realidade brasileira se compara à realidade norte-americana, e quais nossas possibilidades específicas de avanço?’, entre tantas outras.

1. Mais de 75% dxs votantes nos Estados Unidos acreditam que deveria ser ilegal demitir alguém somente porque essa pessoa é transgênera. (pesquisa da Human Rights Campaign / Hart Research, 2005)

2. Aproximadamente 65% das empresas da Fortune 100 — lista que engloba as empresas norte-americanas mais rentáveis — oferecem políticas não-discriminatórias que incluem identidade de gênero. Mais e mais empresas adicionam esta proteção específica a cada ano. (Human Rights Campaign, 2010)

3. Enquanto isso, 26% de trabalhadorxs transgênerxs relatam ter perdido seus empregos devido à sua identidade de gênero e 97% relatam outras experiências negativas no ambiente de trabalho (variando de agressão verbal a abusos). (National Gay and Lesbian Task Force / National Center for Transgender Equality, 2009)

4. Em 2009, identidade de gênero foi adicionada à lei federal sobre crimes de ódio, explicitamente protegendo pessoas transgêneras pela primeira vez sob leis federais de direitos civis [2- federal civil rights law, no original]. Crimes de ódio contra norte-americanxs LGBTIAQ-queer [3], no entanto, continuam a ser um problema significativo, e os esforços para acabar com tais crimes devem continuar.

5. Regulamentos militares negam às pessoas transgêneras norte-americanas o direito a servir abertamente em relação à sua identidade de gênero, e veteranxs transgênerxs enfrentam discriminações significativas perpetradas pelo sistema médico voltado axs veteranxs [4- Veterans Administration medical system, no original]. (estudo da Transgender American Veterans Association / Palm Center, agosto de 2008)

6. Na maioria dos estados norte-americanos, ainda é considerado legalmente aceitável demitir alguém de seu trabalho simplesmente por essa pessoa ser transgênera.

7. Ainda que desafios ainda existam, há diversas comunidades e vertentes religiosas lideradas por pessoas transgêneras e-ou receptivas à diversidade de gêneros por todos os Estados Unidos e além.

8. Através da História e das mais diferentes culturas, pessoas se expressaram de maneiras que, de acordo com conceituações contemporâneas, poderíamos considerar transgêneras. Várias culturas nativas norte-americanas têm as pessoas ‘dois-espíritos’ [5- two-spirited, no original] como um grupo reverenciado.

9. De acordo com algumas estimativas, 0,25 a 1,00% da população norte-americana é composta de pessoas transexuais. Entretanto, considera-se que a porcentagem de pessoas que estejam dentro das margens mais amplas da identidade transgênera seja muito maior.

10. Proteções relacionadas à luta contra a discriminação de pessoas transgêneras estão sendo ampliadas em faculdades e universidades, com crescente foco na universalização destas proteções para todas as instituições de ensino superior e para estudantes, corpo docente e trabalhadorxs. Isso inclui todas as instituições da Ivy League. Diversas faculdades e universidades já oferecem opções de moradia gênero-neutras para estudantes vivendo no campus.

Notas

[1]- esta série é baseada no guia da Human Rights Campaign Foundation chamado ‘Transgender Visibility – A guide to being you’ (‘Visibilidade Transgênera – Um guia para você ser você mesmx’, numa tradução livre do inglês), que é voltado principalmente à população transgênera dos Estados Unidos da América do Norte. Pretendo buscar alguns dados sobre a realidade brasileira para adicionar à série.

[2]- inserida no texto.

[3]- utilizei-me do mesmo princípio do artigo número 06 da série, considerando que a mudança em nomenclatura — do original LGBT para LGBTIAQ-queer — não interfere no conteúdo da sentença — o que poderia ser o caso, se houvesse questões metodológicas incluídas.

[4]- inserida no texto.

[5]- inserida no texto.

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