O caminho transgênero (13) – Três mensagens

Uma mensagem de Joe Solmonese (presidente, Human Rights Campaign Foundation)

Obrigado por consultar e por ler o guia Transgender Visibility. [1]

Nós sabemos que todo e qualquer progresso em questões de igualdade se iniciam com o simples porém profundo gesto de compartilharmos nossas vidas com outras pessoas. Este é, de fato, a maior ação política que qualquer de nós podemos fazer. Quando as pessoas — e nisso se incluem eleitorxs e eleitxs — tomam conhecimento de nossas vidas, nossos anseios, nossas aspirações e, sem dúvidas, nossas lutas, nós começamos a vislumbrar uma mudança. Nós começamos a mudar corações e mentes.

Esta é a maneira através da qual avançamos em questões legais relacionadas à identidade e expressão de gênero, seja no âmbito municipal, estadual ou federal. É assim que continuamos a pressionar empresas a incluir a identidade e expressão de gênero em suas políticas de proteção e benefícios. Não se necessita somente de fatos e números para efetuar estas mudanças, mas fundamentalmente do trabalho árduo que é nos mostrarmos e contarmos nossas histórias.

Sabemos que, conforme mais pessoas [cisgêneras] passem a conhecer pessoas transgêneras norte-americanas, os mitos e temores em torno da identidade de gênero darão lugar a compreensão e apoio.

Por estas razões estou tão contente que a Human Rights Campaign Foundation tenha compilado este guia. Nós esperamos que o Transgender Visibility lhe traga orientações úteis nesta jornada.

Sinceramente,

Joe Solmonese

Uma mensagem de Allyson Robinson (diretora-associada de Diversidade, Human Rights Campaign Foundation)

Eu cheguei lá — e você também pode.

Levei muitos anos para compreender quem eu era e para aceitar esta parte de mim que sempre pareceu tão diferente de todas as outras pessoas. Olhar para mim mesma no espelho e dizer “Eu sou transgênera” foi uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida, e dizer estas mesmas palavras para minha família e amigxs foi ainda mais complicado. Eu tive tanto medo!

Talvez você se sinta da mesma forma. Neste caso, permita-me oferecer estas palavras de incentivo desde ‘o outro lado’: eu me sinto tão bem por ter feito isso.

Hoje, tenho um sentimento de satisfação e paz mais intenso do que poderia imaginar. Todos os dias, experimento a alegria de viver uma vida aberta e honesta e de me relacionar socialmente de maneira integral e autêntica — orgulhosa de quem eu sou e da comunidade transgênera de que faço parte. Se sofri perdas pelo caminho? Sem dúvidas — mas ao final, as coisas que ganhei fizeram tudo valer a pena.

Não importando se você recentemente passou a se compreender como pessoa transgênera, ou se você esperou por anos para compartilhar com pessoas próximas algo que já sabia sobre sua identidade de gênero, minha esperança é que este guia possa lhe ajudar a dar o próximo passo em direção a essa sensação de completude que eu e tantas outras pessoas transgêneras descobriram.

Sua companheira na jornada,

Allyson Robinson

Uma mensagem minha

A ideia de fazer esta adaptação surgiu no momento em que peguei este guia na pequena loja da Human Rights Campaign Foundation, no histórico local onde Harvey Milk tinha sua loja de fotografia no Castro, em San Francisco. Era um momento intenso de introspecção, viajando só, embora as ruas da cidade estivessem cheias e queers pela parada que se aproximava: encontrar-se consigo mesmx é um exercício imenso, em especial neste nosso mundo cisgênero.

Naquele momento, já havia várias pessoas que sabiam de minha identidade de gênero (que ‘sabiam de viviane’, como digo às vezes), algumas delas fundamentais para mim. Mas persistia — e ainda resiste um pouco, infelizmente — uma certa vergonha e um certo temor em compartilhar minha identidade de gênero. Este guia, entre tantas outras conversas e vivências, serviu para que eu fosse percebendo, apesar de todas as mensagens confusas e problemáticas que nos traz esta sociedade dominante (cisgênera), que havia uma dignidade inerente a nossas identidades de gênero (independentemente de quais sejam elas), que havia uma luta importante por essa dignidade, e que houve, há e haverá um grande número de pessoas cujas identidades de gênero sejam similares às nossas — sejam elas oprimidas ou não pelas sociedades em que estejam.

Neste sentido, escrever esta adaptação foi uma tentativa de compartilhar essas percepções com outras pessoas, de forma que elas possam ter uma melhor compreensão de si mesmas e também de outras pessoas. Afinal, compreender a dignidade de identidades de gênero não-cisgêneras não é nada mais que reconhecer e respeitar a humanidade em todxs nós. No entanto, o que foi mais interessante, e até inesperado, para mim, foi o caminho transformador que o ato de trabalhar com este guia me trouxe: os agradecimentos, as conversas, as revisões, foram todas oportunidades de fortalecimento e aprendizado, e agradeço sinceramente a todxs que participaram desse processo. Fiquei verdadeiramente feliz com a possibilidade de haver contribuído um pouco para aprimorar as visões das pessoas sobre as transgeneridades, em particular, e sobre a humanidade, em um sentido mais geral.

É também um processo que se encerra em um contexto pessoal particularmente interessante, e que se relaciona de maneira muito forte com a temática deste guia: recentemente, meus pais passaram a saber de minha identidade de gênero inconforme. E acredito que isso foi positivo, apesar de todas as dificuldades que surgiram e ainda seguem: a sensação de não haver mais segredos com pessoas tão importantes em nossas vidas é enorme, e, no meu caso, a evolução na aceitação e respeito delxs foi incrível. Talvez sejam nossas lutas surtindo efeito, quem sabe. Porém, não se deve descansar, que muitas outras pessoas ainda são expulsas de casa e violentadas nas mais diversas formas devido às suas identidades e expressões de gênero.

Desejo, enfim,  perseverança a todxs para seguir seus caminhos de maneira crítica e feliz, tomando-se a felicidade como definida neste trecho de um bonito poema escrito pela juventude rebelde zapatista:

“No es necesario todo para hacer un mundo,

es necesaria la felicidad y nada más.

Para ser feliz es necesario simplemente ver claro


y luchar.”

beijos transgêneros fraternos,

viviane v

Human Rights Campaign Foundation acredita que todxs norte-americanxs devem ter a oportunidade de cuidar de suas famílias, de ter uma renda, de servir seu país e de viver vidas abertas, honestas e seguras em suas casas, locais de trabalho e comunidades. Através de pesquisas pioneiras, luta por direitos e educação, a HRC Foundation promove práticas e políticas que apoiem e protejam pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgêneras e suas famílias em organizações educacionais, de saúde, corporativas, públicas e privadas por todo o país [EUA]. Visite www.hrc.org para mais informações.

Notas

[1]- esta série é baseada no guia da Human Rights Campaign Foundation chamado ‘Transgender Visibility – A guide to being you‘ (‘Visibilidade Transgênera – Um guia para você ser você’, numa tradução livre do inglês).

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