Pequeno encontro

Nos conhecemos agora. Pouco sei de você — nada mais que estereotipações mais ou menos científicas, mais ou menos problemáticas, mais ou menos verdadeiras. Você, possivelmente, nada sabe de mim — ou ao menos não nas formas que meus pares definem como conhecimento. E de alguma maneira, talvez inusitada, talvez coincidente, nossos mundos se mesclam diante do mar que nos é infinito.

Desconheço suas dores, suas histórias, seus viveres; e você, mesmo quando caminha pelo meu corpo seminu, também me desconhece. Ou talvez nos conheçamos naquilo que nos seja conveniente e possível: de você, a fragilidade e o incômodo de um ferrão; de mim, a superfície suave e gigantesca que lhe poderá ser a última morada.

[do pequeno encontro com uma formiga na praia]

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