Insight

Quando olhamos nossas histórias, vemos que o silêncio e a exclusão das vozes e demandas políticas trans* não são aspectos pontuais, ou derivados de meras desavenças pessoais.

O discurso do ‘exagero’, a falácia do ‘respeitarmos antes para sermos respeitadxs’ (por ser falsamente simétrica, por supor de antemão que estejamos desrespeitando algo — instituições, títulos, projetos, pessoas, o que for — e também por esperar que os processos de mudança social ocorram via diálogos ‘respeitosos’, quando se entende por ‘respeito’ uma diplomacia social que não questiona profundamente quaisquer perspectivas problemáticas que possam advir destas instituições, títulos, projetos, pessoas), a perspectiva de ‘vamos dar um passo de cada vez’ (frequentemente preterindo as demandas de quem é mais pobre, mais mulher, mais negrx, mais imigrante, mais vadix, mais ‘deseducado’, mais ‘desrespeitoso’), são instrumentos historicamente utilizados para uma caminhada reformista que vai nos aproximando crescentemente do caos ambiental e das barbáries humanas.

Para cada Sylvia Rivera que cai, precisamos de muitas travas com voz.

Para cada instância conservadora e inferiorizante, é preciso coragem e estratégias para enfrentar o poder sem puxassaquismos (que excedam o necessário para a manutenção de certas condições materiais).

Para cada tentativa de nos enquadrarmos como ‘problemáticxs’, ‘prepotentes’ e ‘vândalxs’, a sagacidade sincera, humanizadora e profundamente crítica de argumentos que analisam e problematizam discursos, não pessoas — porque seu objetivo é o de ver o que é socialmente reproduzido, e não o de individualizar a análise social (especialmente quando estas pessoas são bem pouco relevantes de um ponto de vista pessoal).

Para cada violência, resistência.

— Breve insight inspirado pela história, menos lembrada historicamente do que o devido, de Sylvia Rivera, ativista intersecional de direitos trans: http://en.wikipedia.org/wiki/Sylvia_Rivera . Ver também ‘Queens in Exile, the Forgotten Ones’.

“The bitch on wheels is back.” (Rivera, Sylvia)

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2 comentários em “Insight

    1. 🙂
      Não sei se esperançoso, linda, mas ao menos uma perspectiva que tenta imaginar que há diversas linhas de ação (mais ou menos institucionalizadas, mais ou menos revolucionárias, etc), e que devemos analisar criticamente quando tomamos uma ou mais linhas…

      Mas vou te falar que o insight surgiu de um momento de desamparo…rs

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