Sobre ‘Por causa da mulher’

Contato: msvivianev arroba gmail ponto com

[atualização – 20/08/2013]

Este blog tem sido uma ferramenta muito importante em minhas construções e reflexões sobre gêneros, especialmente aqueles que dialogam de maneira mais próxima com minhas vivências. Sinto-me muito mais madura nestes processos, e muito menos disposta a aceitar discursos que patologizem, criminalizem, moralizem ou inferiorizem minhas perspectivas ‘não cisgêneras’ — ou transgêneras — sobre minha existência.

Atualmente, percebo-me e me afirmo como uma mulher transgênera, compreendendo criticamente que estes são posicionamentos socio+políticos e não uma percepção relacionada a uma ‘essência de gênero’. Tal compreensão é resultado de leituras que tenho feito, particularmente no âmbito dos estudos transgêneros, queer e anticoloniais, bem como de novas vivências que têm me enriquecido muito de um ponto de vista existencial.

Neste sentido, este espaço até então bastante cor-de-rosa tem ousado para além de um mero “apresentar minha visão feminina sobre coisas variadas” (ver versão anterior desta página ‘Eu’, abaixo), constituindo-se em singela trincheira de onde procuro construir pirotecnias descolonizantes de gênero, formar solidariedades e alianças trans*, e expressar alguns de meus devaneios, angústias e sonhos, particularmente (mas não somente) nesta espécie de ‘nova vida’ que este ‘devir viviane’ tem me proporcionado.

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* * *

[versão anterior, com várias perspectivas repensadas]

Este blog, para mim, é uma forma de expressão muito especial. Mais que simplesmente um espaço onde coloco minhas opiniões e pensamentos, é um espaço onde se expressa uma parte de mim. E, quando me refiro a uma parte, é algo diferente de um alter-ego, um pseudônimo ou um caso crônico de dupla personalidade, como já pensei muitas vezes: essa parte me constitui, sou eu! E é sempre interessante como uma frase tão simples pode ser tão complexa e difícil de pronunciar às vezes – especialmente quando se está maquiada e de salto alto. Quantas vezes pensei comigo mesma, Você deve estar louco de sair assim!, como que tentando se separar daquilo que é. Impossível.

A teoria corrente me considera homem, considerando-se minha anatomia e toda minha história social. Sou humano antes disso; ser vivo, se ousarmos um passo atrás, e matéria, se dois. Que esta pobre filosofia não os engane: sou um “so-called” crossdresser, o que significa que, vez ou outra, visto-me e tento comportar-me como garota, embora no cotidiano predominem as roupagens sem-graça da seção masculina. Se o que importa é o que vai à mente, então acredito que a proporção masculino-feminino no vestuário não se aplique às minhas idéias – o feminino das coisas me encanta, e será, penso, o tema principal do blog. Além de uma ou outra história minha, ou notícia que achar interessante… infelizmente, por ora não me sinto à vontade para compartilhar fotos. Mas quem sabe daqui a um tempinho…

Deixando um pouco de lado as divagações, estou em meus 24 25 26 anos, e buscando desenvolver mais esses aspectos da feminilidade. Não deixa de ser um momento especial em minha vida, pois até então jamais havia morado sozinha, o que me limitava seriamente em minha expressão de menina – desde pequenos detalhes como passar uma base na unha como sair completamente montada. Hoje posso dizer que sei um pouquinho mais, tendo saído algumas vezes na rua e experimentado a sensação de estar mulher, ainda que por uma noite. É muito bom, apesar de alguns receios bobos que tenho… também não sei se passo como garota, mas quem passa desatento não parece se assustar. De qualquer forma, foram eventos significativos para quem, antes, montava-se parcialmente, e por curtos minutos, na solidão de um quarto.

Portanto, minha idéia aqui é colocar um pouco disto tudo que me encanta e também me desafia, no sentido de fazer com que eu me entenda e me aceite mais. É apresentar minha visão feminina sobre coisas variadas, e extravasar um pouco dessa parte de mim, que esteve sempre quietinha, solitária, mas que exige autonomia. Sem violência, e sim com a graça e a sutileza que somente o feminino tem. E meu lado homem, outrora dominante, vai se deixando levar, meio que desdenhando (“Não vai chegar a lugar nenhum essa Vivi”), meio que sendo conquistado (“Uau, não é que você está bonita?”), desacreditando a menina Vivi ao mesmo tempo que não acredita em sua beleza, ainda que haja nela uma certa insegurança infantil. Sim, este é um espaço para meu aprendizado como Viviane.

16 comentários em “Sobre ‘Por causa da mulher’

  1. Obrigada pela visita!
    Gostei da piada dos 24 aninhos!
    Bom saber que você tem uma cabeça boa.

    Beijão!
    da Amanda

    Vivi: Oi linda! Obrigada pela visita também! Está tudo tão no comecinho…rs. Um bjo!

  2. Vivi, vc é muito inteligente, escreve muito bem. Parabéns pelo Blog. Estou encantado com vc! Beijos!

    (Vivi: Obrigada Allan, volte sempre! Espero poder escrever mais, na verdade…bjos!)

  3. Ola amiga seja feliz eu te desejo muita coragem e que tudo aconteca na sua vida… Eu sou transexual operada desde algumas semanas me sinta a pessoa mais feliz deste mundo! Coragem forca que voce sera uma pessoa muito feliz… Paula Brunna.

    1. Oi Paula, muito obrigada! Às vezes os dias são meio difíceis, mas é sempre bom ver que há gente sendo feliz, lutando contra tudo que é necessário para viver como se quer.
      Espero que tudo esteja indo bem no pós-op! 🙂
      Um beijão!
      vivi

    1. Obrigada Claudia! 🙂
      Fique à vontade para fazer observações, comentários… nossas reflexões estão em (re)construção constante, e nada melhor que novos pontos de vista pra este processo fluir bem. 🙂

  4. oi vivi, tbm sou cd e adorei seu texto…qto a mim não preciso estar montada para me sentir feminina…apesar de usar calcinha e esmalte todo tempo…um grande beijo!!!

    1. Que isso, Marcelo… obrigada pelo comentário!
      Essa é a ideia mesmo, de contarmos nossas próprias histórias, desde nossas perspectivas, para buscarmos mudar o que é necessário.

      Beijos!

  5. Oi Viviane!
    Parabéns pelo seu blog, pela sua trajetória e pelas suas reflexões!
    Sou estudante de comunicação em Goiás e estou escrevendo monografia sobre representações trans na mídia. Seus textos tem me ajudado muito nesse processo de construção e me enriquecem a cada palavra.

    Sorte e abraços fraternos!

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